Batida Salve Todos

13 de Agosto, o dia que nunca acabou.

Alexandre

No meio do samba da casa de Iara, entre cuícas e cavaquinhos, Alexandre disse, alto demais no meu ouvido, se você, leitor, não fizer questão de detalhes aparentemente irrelevantes mas que são fundamentais para a narrativa do momento, “Téta, estou esperando a mulher da minha vida aparecer para dar uma caixa vazia de presente”. Mal lembrava da história, já nasci velha e sempre fui ruim de memória. Sou metade Dori, metade calabresa,  mas o episódio da caixa vazia veio de um texto que escrevi tempos atrás. Tratava do primeiro presente que ganhei do meu paquerinha-bofe-magia. Quando recebi a caixa v-a-z-i-a, perguntei, depois de 3 segundos de silêncio constrangedor, “o presente é a caixa”? Ele respondeu “é”. Mais 3 segundos e, desconstruindo a lógica do consumismo romântico, acrescentou: “é pra a gente guardar as vontades e sonhos”.

Casei.

Alexandre também queria casar e dar uma caixa vazia e guardar sonhos e vontades.

Não deu tempo.

Carlos

Carlos Augusto só foi Carlos Augusto até o começo da adolescência, quando, por conta da calça Percol que ele usava todo santo dia virou Carlos da calça Percol, que foi logo simplificado pra Percol mesmo

“Tu só tem essa calça é velho?”.

A mãe achava uma pena porque Carlos Augusto era um nome tão bonito. Ah, as mães.

Carlos Percol era o melhor amigo de outro Carlos, o Eduardo. Esse segundo era meu companheiro de quarto por motivos de ser meu irmão e lá em casa só ter 3 quartos, sendo divididos por papai, mamãe, eu, Carlos, o Eduardo e o caçula, Ana Claudia a do meio, minha avó e a irmã da minha avó (fazendo meu pai entrar no livro dos records por ter duas sogras). Portanto os 3 filhos, (eu, kk e cau) dividíamos o quarto, as histórias, as brigas e, muitas vezes, os amigos. Falta de espaço às vezes é amor!

Carlos, o Eduardo, era tão amigo de Percol que, além do Atual e da Unicap ainda ficaram juntos no emprego: assessores de imprensa (um do Governador, o outro do Prefeito).

Carlos, o Percol, casou. Ele não queria dar a Cecília uma caixa vazia porque sabia muito bem que tinha tantos sonhos e tantas vontades que não tinha caixa no mundo que coubesse tudo.

Carlos, o Eduardo, foi padrinho. Fizeram planos de levar os futuros filhos pra andar de skate no Parque da Jaqueira juntos.

-       Vai ser gréia. Disse o Eduardo.

-       Aí dentro papai Noel, disse o Percol.

Jamais saberei explicar como, não importava a data do ano, Percol arrumava um jeito de colocar papai Noel dentro de tudo.

Os planos davam contas de que os respectivos filhos, que segundo Cecília tinham que ter o DNA e principalmente o sorriso de Percol, seriam melhores amigos como seus pais.

Não deu tempo.

Marcelo

Conheci Marcelo num restaurante alemão em Santa Tereza, no Rio. Meu marido, o da caixa vazia, disse que tinha uma amigo de Recife que tava pelo Rio e pronto, it’s a date: Marcelo e Paulina, eu e Rodrigo. Lá Marcelo perguntou: “Téta, lembra aquele trabalho que a gente fez junto? Ficou massa o resultado”. Não lembrava. Sou metade perda de memória recente, metade frango com catupiry então pra mim aquela era a primeira vez que eu via Marcelo, o que tem muito mais glamour para esse relato.

Anos depois, Rodrigo e Marcelo trabalhavam juntos filmando o guia eleitoral da campanha de Paulo Câmara.

Meses de campanha depois, o mar vermelho teve que se abrir, mesmo sem Moisés ter sido contratado:

-       A equipe vai ter que se dividir, disse Rodrigo num noite chuvosa. Metade vai ficar no Recife com Paulo Câmara a outra metade vai ter que ir pra São Paulo fazer  a campanha presidencial de Eduardo.

Foi par ou ímpar, zerinho ou um, palitinho. Desempatou quando Marcelo disse “prefiro ir pra Eduardo porque fralda tá muito caro e Romeuzinho gasta muita fralda. A campanha de São Paulo paga um pouco melhor.”.

O argumento foi justo. Marcelo foi, Rodrigo ficou.

Na volta, Marcelo ia dar um role de skate com Romeuzinho pra compensar a ausência.

Não deu tempo.

Rodrigo e Carlos Eduardo

Homem chora. E chora muito. Rodrigo passou mais de 5 minutos chorando no telefone quando me ligou para dizer “morreu todo mundo, os meninos morreram, os meninos morreram todos ”. A notícia de que o avião do presidenciável Eduardo Campos havia caído matando o candidato, seu assessor de imprensa Carlos Augusto Percol, o fotógrafo Alexandre Severo e o cinegrafista Marcelo Lyra, além de outros membros da equipe ainda não tinha chegado na TV. Só entendi que “todo mundo” eram os dois grandes amigos do meu marido e o amigo de infância do meu irmão caçula depois de algumas horas. Alguns dias. Quando liguei pra kk, o Carlos caçula, não ouvi a voz, só o choro. A última vez que eu vi kk chorar ele tinha 6 anos e só teve lágrima porque a chinelada de mamãe acertou a bunda esquerda com a força que a gente mata uma barata de asa. Depois disso, só vi sorrisos e gréia. Muita gréia.

Quando homem chora, chora com a alma e com lágrimas e com toda a cumplicidade da amizade entre homens que nós, mulheres, jamais entenderemos.

O kk que deu entrevista na TV sobre a perda irreparável do assessor de imprensa do presidenciável, não era meu irmão caçula. Não teve piada, nem trocadilho, não teve aí dentro papai Noel, nem Percol meu filho. A entrevista foi um suspiro que enterrava ali não só um amigo, mas a infância e a certeza de que eram todos invencíveis e imortais.

Carlos Eduardo carregou o caixão de Carlos Percol. Rodrigo usou branco no velório de Marcelo e no de Alexandre.

Kk faz festa no dia do aniversário de Percol, como se ele estivesse aqui, e leva flores pra Dona Alzira, mãe do amigo, no dia das mães, todo ano. Rodrigo leva os filhos pra dar rolé de skate na pista Marcelo Lyra, em Boa Viagem e tem fotos do projeto “Bem Vindo ao meu coração” de Alexandre Severo espalhadas pelas paredes da nossa casa.

Kk e Rodrigo tentam fazer o que não deu tempo para os meninos.

Dia 13 de Agosto tem todo ano, mas a gente lembra dos meninos todos os dias.

Dia 13 é o dia que nunca acabou, porque amizade, meu véi, não acaba nunca.

 

Rebobine a fita.

Estive na locadora e lembrei de você.

Qualquer semelhança com souvenir de viagem “estive em Caruaru e lembrei de você” é mera ilustração literária. Poderia, claro, ter lembrado de você em Londres ou Nova York, mas não tá fácil pra ninguém e com o preço do dólar, mal dá pra passar o fim de semana em Porto de Galinhas.

O fato é que estive numa locadora, daquelas de vídeo cassete, e lembrei de você. Em verdade, em verdade vós digo; não foi bem numa locadora que estive, porque elas já não existem desde que a TV a cabo e o torrent invadiram nossas vidas. Eu estive mesmo foi na memória da era glacial das vídeo-locadoras. Na lembrança daqueles corredores de filmes e títulos nunca dante navegados.

Era lindo ir pra locadora.

E era lindo porque depois de escolher o filme, pagar, levar pra casa,  colocar no vídeo cassete e assistir… você ainda tinha que rebobinar a fita. E é, justamente nesse rebobinar de fita, que lembrei de você. Não de você especificamente, mas lembrei da humanidade inteira. Foi nessa hora que um insight  me atingiu e eu criei a teoria que pode, vejam bem, salvar a humanidade deste caos ego-lombra-global. Apresento a você a Teoria Filosófica da Era Pós Digital chamada REBOBINE A FITA. Se isso não redimir o ser humano, nada mais irá.

Pense comigo: porque a gente rebobinava a fita?

(Fora a multa da locadora, claro.)

A gente rebobinava a fita, em um mundo perfeito, para que o próximo, seja ele quem fosse, recebesse o filme do mesmo jeito que a gente recebeu: no ponto certo de começar o filme. Ou seja, se você teve o privilégio de colocar a fita cassete e simplesmente dar o play, foi porque alguém rebobinou a fita antes de você levar ela pra casa.

Rebobinar a fita significa, tão somente, entregar ao outro exatamente o que você recebeu.

Isso, meus amigos, só pode ser amor.

Agora vamos traduzir o que é, na vera, rebobinar a fita:

Sabe aquela tesourinha de unha que você achou na caixinha de esmaltes? Porque porra você não bota no mesmo lugar depois de usar?

Rebobinar a fita é não deixar sua bandeja suja na mesa do shopping para que o próximo encontre a mesa limpa, do mesmo jeitinho que você encontrou. É colocar o requeijão de volta na geladeira, é apagar a luz que você acendeu, é fechar a pasta de dente.

Custa fechar a pasta de dente, velho?

É devolver o que você usou, mesmo que não existam mais fitas cassetes ou multas por não rebobinar as fitas cassetes, igualzinho como você encontrou.

É fácil?

É.

É divertido?

Não. Sejamos francos.

Rebobinar a fita era a pain in the ass. Aqueles 4 minutos inteiros perdidos olhando para o vídeo cassete, ouvindo aquele barulho irritante de fita voltando sem poder fazer nada pra agilizar o processo. Nem instagram ou facebook existiam na época, para você ficar ali, de bobeira, vendo fotos e vidas alheias, enquanto a caceta da fita voltava para o ponto inicial.

Mas era amor.

E amar, minha gente, nunca foi fácil. Principalmente quando é o amor ao próximo.

Rebobinar a fita é parar de tirar selfie e se oferecer para tirar a foto do casal ao lado. É tirar a foto de uma família que você nunca viu na vida, porque nenhum pau-de-selfie vai enquadrar aquelas 39 pessoas.

Moral da história: se você não deixar o chinelo jogado no meio da sala, vai dar tudo certo.

Se a teoria de rebobinar a fita funcionar e salvar a humanidade, quero meus direito autorais (para poder amar ao próximo brindando com Veuve Clicquot).

I rest my case.

A espera.

Na sétima série li esse livro chamado “A espera” (ou era “A varanda”, passei dos 40 portanto não lembro mais nem o que comi no café da manhã) para uma prova de literatura. O enredo dava conta de uma mãe que esperava o filho voltar sabe-se lá de onde. O cara saiu numa sexta-feira e sumiu no oco do mundo. “Deve ter ido dormir na casa da namoradinha”, pensava a mãe enquanto preparava o almoço . Cinco dias depois, “com certeza foi acampar com os colegas da faculdade” porque sabe como é esse pessoal jovem de hoje em dia.  Semanas, meses, um ano e essa porra dessa mulher botava o café da manhã, costurava, via novelinhas românticas na televisão, bordava, fazia o chá das 5, sentava na varanda para esperar ele voltar e, no fim do dia, deixava o jantar no forno, caso ele chegasse tarde e não quisesse acordar ela. Ah, mas esses jovens não gostam de dar notícias, né?

Quando questionada pelos vizinhos, “mas você não vai fazer nada?”, “já foi na policia”, ligou pra namorada?”, ela trolava a reposta e dizia apenas que “preciso voltar porque deixei o feijão no fogo, vai que ele volta e não tem almoço pronto”.

Eu queria matar essa desgraça desse menino, porque, velho, custa ligar de um orelhão? Mandar uma carta? Note que na época do livro não havia email ou iphone. Portanto, essa mãe passou o livro i-n-t-e-i-r-o esperando esse puto voltar e, quando você, caro leitor, achou que “já entendi professora, tem que sempre avisar a mainha e painho onde a gente está” vem o plot twist mais inesperado que a morte de Nerd Stark: na última página do último parágrafo do livro se descobre (alerta de spoil), por um jornal do vizinho, que o filho é um preso político desaparecido em plena ditadura militar.

Cai o pano.

Apenas o leitor descobre, perceba, porque a mãe não gosta desses jornais que só tem notícias tristes.

Minha gente.

O autor, que eu odiei e agora amo, não preparou o inocente leitor adolescente e alienado para fim dessa história. Em NENHUM momento do livro de 300 páginas se falou de política, golpe, ditadura, presos, mortes, militares, luta estudantil, protestos, falta de liberdade. Foram 300 páginas de chá da tarde, novelinhas, bordados, cafés e almoços feitos em vão. 300 páginas, mano!

(Não sei bem se eram 300 páginas. Devem ter sido 30 com sensação térmica de 300)

Agora, dada a presente situação do país, não paro de pensar nesta “A espera”.

Fico imaginando que todas as pessoas que foram a favor do impeachement , do fim da democracia  e agora planejam boicotar o filme Aquarius, estão em casa assistindo novelinha, fazendo o chá da tarde e imaginando que o Brasil foi apenas acampar com os amiguinhos. Imagina quando descobrirem que, ops, não.  Na dúvida, pra vocês, melhor não ler jornal, porque só tem notícia triste mesmo. E corre pra botar o feijão no fogo já que as panelas já não servem mais para bater.

O dia que o Brasil pegou o beco.

Neste dia, o país desistiu.

Não falo dos brasileiros, nem das belezas naturais ou riquezas ambientais mas, do país em pessoa. Ele mesmo, o Brasil, aquele barrigudo com o umbigo pelas bandas da Paraíba e pernas finas que descambam no Rio Grande do Sul. O país de corpo e alma, esse de quem se fala ora com patriotismo, ora com absoluto desrespeito, pegou a mala e disse, sem muito mas, mas, mas… “puta vibe errada, mêu” e partiu não se sabe pra onde. Dizem que foi visto falando em estrangeiro pelos lados do Kasaquistão. Outros juram ter visto a pátria, descalça, conversando com anarquistas Maoris da Nova Zelândia.

O certo que é descrente de qualquer crença ou futuro, o Brasil juntou o que restou de sua dignidade, enfiou seu independência ou morte em uma mala sem rodinhas e com total desapego de ficar deitado eternamente em berço esplêndido, partiu, pegou o beco.

Foi pra luta ou pro bordel, não se sabe ao certo.

É que nesse mesmo dia, o gigante acordou com uma ressaca triste.  Pode ter sido TPM, para quem jura que a pátria amada, salve, salve, é mulher. E saiu cambaleando sem entender como, de uma dia para outro, a gente deixou meia dúzia de Zé Mané tomar uma cerveja e o poder, não necessariamente nesta ordem.

-       Vocês deixaram Eduardo Cunha fazer a egípcia para a democracia enquanto Michel Temer fez a Suzana Von Richthofen com a presidenta, e vocês ficam aí no facebook?, esbravejou o gigante com um hálito de quem não abre a boca há mais de 500 anos.

Os brasileiros tentaram se explicar, mas foi em vão. A voz trêmula do gigante pronunciou sua sentença final em tom de sussurrou “posso sair daqui pra me organizar, posso sair daqui pra desorganizar” e deixou seus súditos na lama e no caos.

Os otimistas dizem que ele volta, se a gente se organizar direitinho. Os realistas dizem que deixamos o país mergulhar nas profundezas do mar sem fim e que o Brasil se foi para todo o sempre, amém.

Agora, atônitos, o povo, governado por golpistas de direita, se pergunta: como vai ser daqui pra frente?

Spoiler: vai ser uma merda.

A não ser, claro, que a gente…….(escreva aqui o final da sua história).

*Fábula censurada para menores de 15 anos, por motivos de “é cedo demais para perder a esperança e a virgindade política).

 

Desculpa.

Pai e mãe, venho hoje pedir desculpas. Não pela minha adolescência pseudo-rebelde, nem por ter sido mãe solteira. Não peço perdão pelas tatuagens nem pelos palavrões,  tão próprios da minha geração e da minha personalidade. Nem venho, arrependida, falar sobre maconha nem me justificar quanto a faculdade particular.

Venho hoje,  não pelas minhas falhas pessoais de filha mais velha e primeira neta mimada, muito pelo contrario, venho em nome de uma geração inteira pedir perdão.

Nos anos 1980 estávamos tão ocupados com shows do Menudo e com o cubo mágico e não vimos quando vocês choraram a morte de Tancredo Neves.  Talvez eles gostem muito do cara, devo ter pensado entre um diplick e uma fita cassete do Pink Floyd. Não tive tempo de perguntar o que significavam aquelas lágrimas. Entretidos com River Raid no Atari, não paramos para entender, como deveríamos, o “Diretas Já” nem porque estavam todos de verde e amarelo se nem era Copa do Mundo. Não prestamos a devida atenção quando vocês contaram as histórias de amigos desaparecidos durante a ditadura, estávamos ocupados demais usufruindo da nossa liberdade.

Portanto, pai e mãe, a Democracia nos foi entregue de bandeja, como uma fatia suculenta de bolo de rolo. A gente sabia que era bom para o país, mas não tinha ideia, entretidos com nossa infância, de como ela tinha sido feita. Ninguém parou de bater papo no Mirc para se perguntar como aquelas fatias de doce de goiaba haviam sido colocadas tão delicadamente entre as finas camadas de pão de ló. Se tivéssemos dado uma pausa no vídeo cassete, perceberíamos, entre as cenas de ação de De Volta para o Futuro, que permeando o pedaço daquele bolo haviam camadas e mais camadas de luta e sangue do povo brasileiro.

E assim, seguimos por 1990 e 2000 como se a liberdade fosse um presente que a gente ganha quando não é natal nem aniversário. Como se o respeito ao voto fosse parte da evolução da espécie de que Darwin tanto falou.  Parecia tão fácil que a gente não aprendeu a cuidar da Democracia, pai. A deixamos largada, ignoramos sua importância, superestimamos sua força. Deixamos ela vagar, solitária, por becos escuros e úmidos.  Não sabíamos, mãe, como ela era  frágil e delicada. Achávamos que, assim como nós, a Democracia iria durar para sempre. Que, assim como as aventuras da Sessão da Tarde, ela teria um final feliz.

Agora, entalados, não pela bala soft da nossa infância, mas pelo assombroso  fim anunciado de todos os direitos pelos quais vocês lutaram, nós pedimos perdão. Não soubemos cuidar da nossa herança. Não tínhamos como saber.

Perdão se o voto de vocês, expressão máxima deste regime político onde o povo exerce a soberania, vai perder a validade sem nenhum motivo plausível ou justo. Sei que foram votar carregando a bandeira de uma ideologia de igualdade entre as classes mas, pai e mãe, aprendi hoje o que vocês já sabiam desde os tempos do Golpe de 64: o poder engole a liberdade, a ganância engole o respeito,  a mentira engole a imprensa e, o pior de tudo, o dinheiro engole o amor.

Pai, você aos 73 anos de idade, me disse hoje: “sou pessimista, está tudo perdido. Perdemos tudo pelo que lutamos uma vida inteira.”

Te respondo com as palavras de José Saramago: “não somos pessimistas, o mundo é que está péssimo”.

Obrigado por nos ensinar de que lado ficar nesta luta desigual entre formigas e lobos. Mas sabe de uma coisa? Ouvi dizer que quando as formigas se juntam, formam um exército capaz de derrubar uma alcatéia inteira.